REVISTA CARAS EM 2011

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sábado, 30 de novembro de 2013

IORÒSÚN







IORÒSÚN Imaginação, choro, dificuldade na vida, peregri-
(ou IRÒSUN) nação, prevenção, cautela, futuro brilhante.

Responde com 4 (quatro) búzios abertos.
Corresponde ao 5 na ordem de chegada do sistema IFÁ, onde é
conhecido pelo mesmo nome. IRÒSÚN designa uma tintura vegetal
vermelha sangue é utilizado ritualística e medicinalmente.
Corresponde, na geomancia européia, à figura denominada “FORTUNA
MINOR”.
IRÒSÚN MEJI é um ODÚ composto pelos elementos fogo sobre
terra, com predominância do primeiro, o que indica escassez,
parcimônia, insuficiência de recursos para que a meta seja atingida em
toda plenitude.
Corresponde ao ponto cardeal “Este-Nordeste”, à carta do
Tarot (a “IMPERATRIZ”) e sua valor numérico é o 4. Suas cores são o
vermelho e o laranja, sendo um ODÚ masculino, representado,
esotericamente, por uma espiral, ou por dos círculos concêntricos,
representação de um “DO” (buraco ou cavidade).
IRÒSÚN MEJI é muito forte e temido. Expressa a idéia de
maldade, miséria e sangue. Foi esse ODÚ quem criou as catacumbas e
as sepulturas.
Sempre que surgir numa consulta deve-se imediatamente
passar pó de EFUN nas pálpebras, por três vezes, para neutralizar, os
malefícios dar cor vermelha. Através da proteção da cor branca (Efun).
IRÒSÚN MEJI rege todos os buracos de terra, comanda também
todos os metais vermelho, como o cobre, o bronze, o ouro, etc...
Prenuncia acidentes, miséria, fraudes, sofrimento, ambição e
impetuosidade. Os filhos deste ODÚ são predestinados a adquirirem
conhecimentos dentro de Ifá, para não perecerem precocemente. São
pessoas animadas, exaltadas, realizadoras. São orgulhosas, muito
agressivas e que se deixam dominar pelo cólera com qualidade.
IRÒSÚN é um ODÚ de prenúncios medianos, que fala do bem e do
mal com a mesma intensidade.
- PELA AMARRAÇÃO DE IGBÔ:
Quando em IRÊ (Positivo), IORÒSÚN pode indicar: vitória pelo esforço
despendido, conformação, trabalho que surge, peregrinação religiosa,
conquista de bens de pouco valor, mas que trarão satisfação, sorte em
jogos.
Quando em OSOGBÔ (negativo), este ODÚ indica: Ofensas, perigo de
acidentes, derramamento de sangue, homem que deve ser evitado,mulher perigosa e faladeira, notícias ruins, doença em casa ou na
família, miséria, recursos insuficientes.
Neste ODÚ falam as seguintes divindades:
Orisás Nagô: OYÁ, OSÓSI, OBALUAYÊ, OSAÝN, YEMONJÁ, SANGÔ e EGUN.
VODÚNS Jêje: NÃ, LISÁ, HEVIOSO, DÃ, YALODÊ E TOVODÚN.
Interdições de IRÒSÚN: o uso de roupas e objetos vermelhos, as frutas e
cereais de casca vermelha, vetado o relacionamento com filhos de
OMOLÚ ou SANGÔ. Terminantemente proibido o porte de punhais e/ou
facas. Saltar sobre valas, buracos ou fossas, caminhar nos locais onde
existam mangues. Caso isto seja inevitável, fazer a limpeza de corpo
com ovos e velas.
- Interpretação pelo SISTEMA DOS QUATRO PONTOS CARDEAIS:
Devido o fato de OYÁ ter sido vítima de muitas calúnias e
injustiças, ocasionadas por EGUNGUN, e, sendo este ODÚ, um dos signos de
OYÁ, as pessoas regidas por este ODÚ, tendem a sofrer todos esse tipos
de problemas (calúnias e injustiças). Contudo, SANGÔ, nesta caída,
responde com certa decisão e justiça, enquanto que OSÀLÁ, por sua vez,
também promete dar um pouco de alívio e proteção.
Em razão do Karma imposto por esse ODÚ, em sua fase negativa,
traz influências desagradáveis e causa, principalmente, ao seu
consulente ou a quem é regido por ele, um círculo de falsos amigos.
Este ODÚ tem grandes poderes de sabedoria, em sua fase
positiva. Propicia alívio a doenças e caminhos fechados, porém nem
todos os problemas poderão ser totalmente resolvidos, mas, pelo
menos, aliviados.
Quando se posiciona à esquerda, indica grandes desgraças,
ciladas, roubos, indecisões, calúnias, traições de pessoas amigas,
acidentes, muitas tristezas, paixões violentas, muita falsidade, até
mesmo dentro de casa e no trabalho, além de perigo de morte
repentina.
Já quando sai a direita, é indicação de que haverá resolução dos
problemas, por pior que sejam.
Negativo: Influências nefastas causando um círculo de falsos amigos,
desgraças, ciladas, roubos, muita confusão, indecisão,
falsidade (até dentro de casa), também perigo de morte.
OBS .: Este ODÚ, deverá ser encaminhado, sempre que sair na 1ª, 2ª e 3ª
caídas (bastando, desse modo, apenas uma caída para feitura de ebó).
Agrado mensal, recomendável para os regidos por este signo: 4 acaçás,
4 moedas, 4 velas, 4 bolos de farinha, 4 ovos. Ao entregar, mencionar,
tão somente, o nome do ODÚ. Caráter dos regidos por IRÒSÚN: audacioso, decidido, colérico,
autoritário. As pessoas deste ODÚ costumam apresentar olhos vermelhos
e lacrimejantes.
Órgãos em que atua: coração, artérias, coordenação motora, visão.
Doenças: Cardíacas, inflamações das vistas, cerebrais, intestinais,
problemas em geral, e da coluna vertebral e circulatórios.
A ligação do ORISÁ OSÚN é devida à relação com o sangue
menstrual (símbolo da fertilidade feminina), representado pelo EKODIDÊ.
As pessoas sob o signo deste ODÚ devem sempre cuidar de ÈSÚ e de
OSÚN.
Recomenda-se usar um cristal de citrina como catalisador
energético. Defuma-se com alecrim, pó de café e sementes de girassol.
Banhar-se com flor de laranjeira e alecrim.
OBS. : O elemento principal do ebó de IORÒSÚN é um corda de sisal, de
tamanho equivalente a quatro palmos da mão esquerda do consulente.

OSÊ Ofensa





5 - OSÊ Ofensa, trabalho, necessidade, miséria, luta
oratória, início de empresa.
Responde com 5 (cinco) búzios abertos.
Corresponde ao 15 na ordem de chegada do sistema IFÁ, onde
é conhecido pelo mesmo nome. A palavra evoca, em Yorubá, a idéia de
partir, quebrar, separar em dois, o nome é desagradável. Acredita-se
que este ODÚ teria cometido incesto (“LÓ”) cm sua mãe ÒFÚN MEJI, e, por
isto, foi separado dos outros signos. Corresponde na geomancia
européia a figura denominada “AMISSIO”.
OSÊ MEJI é composto pelos elementos ar sobre ar, o que
representa uma dispersão súbita, a impotência diante de um obstáculo
e o surgimento de outros obstáculos. Corresponde ao ponto cardeal
Noroeste, à carta n° 16 do Tarot (a “TORRE”) e seu valor numérico é o 6.
Suas cores são irisadas, matizadas, insípidas. Não tem
preferência por nenhuma cor específica, mas exige que lhe seja
apresentadas três cores diferentes e reunidas, não importando quais
sejam elas. OSÊ é um ODÚ masculino, representado esotericamente por
uma lua crescente com as pontas viradas para baixo. O signo tem
realmente o poder de partir em dois o objeto que desejar.
OSÊ MEJI comanda tudo o que é quebradiço, quebrado, mal
cheiroso, decomposto, putrefato. Todas as articulações e juntas provêm
deste ODÚ e ele representa inúmeras doenças, notadamente os
obsessos. Ele é a própria representação de SAKPATÁ (a varíola), e está
intimamente ligado às “KENNESIS”, tratando-se, portanto, de um ODÚ muito
perigoso.
Exige sempre em seus sacrifícios dezesseis unidades de cada objeto ou
animal a ser oferecido da mesma forma que ÒFÚN MEJI. Apesar de
ser um signo de péssimos augúrios, é, por vezes, portador de riquezas
e longevidade.
Seu nome não deve jamais ser pronunciado junto com IRETÊ
MEJI, dado a grande carga de negatividade de que ambos são
portadores.
Quando em IRÊ (Positivo), OSÊ pode indicar: recuperação de coisas
perdidas, enriquecimento súbito, cura de uma doença, capacidade e
engenhosidade, intuição que deve ser seguida, boa inspiração.
Quando em OSOGBÔ (negativo), este ODÚ indica: perdas de todos os tipos,
desperdícios, evasão de energias físicas, falsidade, cirurgia e doenças,
principalmente na barriga, morte ocasionada por enfermidade, traição,
prantos.
Neste ODÚ falam as seguintes divindades:
Orisás Nagô: OSUN, OBATALÁ, OMOLU, LOGUN-EDÉ, YEMONJÁ e AGÊ.
VODÚNS Jêje: SAKPATÁ, LISÁ, HEVIOSO, GUN e TOHOSÚ.
OBS .: os filhos de OSÊ MEJI não podem comer OBÍ de mais de dois gomos
(só é permitido o de dois gomos e o BANJÁ, que, por sua dureza, não
pode ser aberto com as mãos). Também devem ser observadas todas
as imposições impostas a SAKPATÁ.
- Interpretação pelo SISTEMA DOS QUATRO PONTOS CARDEAIS:
Quem possui esse ODÚ, ou é regido duplamente com ele, possui
poderes para feitiçarias, e, são imunes a feitiço, mas não quer dizer
que não possa levar uma balançada.
É um ODÚ de grandes causas no seu lado positivo, propõe-se a
defender o consulente em todos os aspectos. Ele determina o fim de
sofrimento, traz grandes possibilidades de triunfos e de cargos. O
consulente terá possibilidades de se envolver com grandes
personalidades. É, ainda, uma pessoa envolvido em mistérios. Indica
mediunidade, bom caráter, cargo de chefia na casa de santo e no
trabalho.
Quando esse ODÚ dirigi o ÒRÍ da pessoa, a mesma é misteriosa,
vaidosa. Quando lhe é conveniente, é mão aberta, possui muito
charme, além de ser muito inteligente. Os regidos por este signo
gostam dos prazeres, são prosas e convencidos, ambiciosos,
perseverantes e complicados no amor, pensam em grandes lucros.
Quase sempre são impetuosos na maneira de agir, e, com isso, perdem
grandes oportunidades, pois sempre haverá um inimigo oculto,
tentando, com grandes esforços, derrotar as pessoas desse ODÚ. Porém,
no fim, elas conseguem sair vitoriosas nas batalhas e, em pouco
tempo, se reequilibram, obtendo lucros e realizando seus desejos.
Quando esse ODÚ se apresenta nas três primeiras caídas
consecutivas, é indicação de feitiçaria, e, nessa feitiçaria, quem
responde é ÈSÚ e EGUNGUN.
Este é o ODÚ invocado pelas feitiçarias (AJÉS) e feiticeiros, pois
eles fazem pacto com as ÌYÁ MÍ (KENNESÍS).
Quando sair 2 vezes, é indicação de magia e falsidade de
mulheres, e o consulente será ludibriado com promessas que não serão
cumpridas. Também haverá perseguição de um homem.
Indica ainda uma doença grave (mental). Se não tratada poderá
levar à loucura, mas essa situação é passageira, fazendo ebó, todas as
negatividades serão despachadas e todos os inimigos serão derrotados.
OSÊ MEJI prenuncia a diminuição das energias físicas, o que
predispõe o organismo, enfraquecido e sem defesas, a qualquer tipo de
doença, principalmente aquelas que se situam na cavidade abdominal.
Fala muito de perdas de todos os tipos e em todos os setores da vida.
Através deste ODÚ, OSUN costuma comunicar-se para avisar que
o consulente é seu filho.
Positivo: Solução de grandes causas, fim de sofrimento, grandes
triunfos.
Negativo: Feitiços
Se sair duas vezes = falsidade de mulher, engano com falsas
promessas ou perseguição de um homem, Doença
grave. Caindo duas vezes já é necessário ebó
(geralmente indica feitiçaria).
Ao contrário do que muitos afirmam, as pessoas que possuem
este ODÚ não têm cargo para cuidar dos ORISÁS de outras pessoas,
devendo- se restringir a cuidar somente de seus ORISÁS.
- Se cair o 5 (OSÊ) duas vezes – feitiço pequeno = entregar ebó em -
lixeira pequena (latão de lixo na rua)
- Se cair o 5 (OSÊ) três vezes – feitiço grande = entregar ebó em lixeira
grande ou onde têm urubus.
- Se cair o 5 (OSÊ) só uma vez = agradar “KENNESÍS” (IYÁ MÍ) (para livrar-se
de invejas, feitiços enviados por terceiros)
- Se cair o 5 (OSÊ) na 4ª caída = indica situação favorável
EBÓ: 5 bolas de farinha, 5 bolas de arroz, 5 ovos, 5 moedas, 5 velas
acesas, morim branco ao redor. Entregar no pé de uma jaqueira.
Tudo deverá ser tocado no peito do cliente e só poderá ser feito
ao amanhecer ou entardecer. (é este, também, o agrado às IYÁ
MÍ)
Os ebó pequeno e médio deverão levar 5 pedaços de carne, ou,
se for por questão de saúde, a parte correspondente ao
problema (fígado, carne, peito...)
oloje iku ike obarainan

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

ITANS DE EJIOGBE






1 - Da disputa entre três caminhos, Terra, Praça e Água, pelo desejo de ser o mais importante, Ajá, que serviu de intermediador lhes disse: "Lutam por simples prazer, pois nenhum dos três é mais importante que os demais. Desta forma, é necessário que se unam e vivam em paz. Se a Água não cair sobre a Terra, esta não produzirá seus frutos e a praça perderá a sua utilidade que é a de servir como local de comercialização dos frutos da Terra. Vivam em paz, os três têm a mesma importância!"
Assim, os três caminhos fizeram as pazes e, agradecida, Terra disse ao cão: "Por mais distante que vás de tua casa, jamais te perderás, pois sempre te servirei de orientação!"
A Praça falou: "Quando sentires fome e nada tiveres para comer, vem a mim! Sempre reservarei para ti algum alimento, nem que seja um simples osso!"
Água sentenciou: "Estarei sempre disponível para matar a tua sede e mesmo que caias em meu leito, jamais perecerás afogado, pois eu mesma te ajudarei a nadar e a livrar-te do perigo!"
E assim, Terra, Água e Praça, se tornaram os maiores amigos do cão.
Este itan determina, para quem vai viajar, que se faça um ebó composto de: Dois galos, duas galinhas, terra de cemitério, terra de uma encruzilhada de três caminhos; terra da floresta, da montanha, do fundo do rio, pó de preá, pó de peixe, epô, banha de orí, efun, milho e muitas moedas.Um filho de Oxóssi, que saía em expedição de caça, consultou Ifá e lhe surgiu Ejiogbe que lhe recomendou que fizesse um ebó com todos os ovos de galinha que tivesse em sua casa, para evitar que fosse capturado por Ikú.
O homem não fez o ebó e, dias depois de internar-se na floresta, sem haver conseguido abater qualquer caça, deparou com Ikú que, disfarçado, se propôs a acompanhá-lo na caçada.
Depois de caminharem lado a lado encontraram dois ovos da ave alakasó13, que o caçador se propôs a dividir com Ikú, um para cada um.
Ikú, no entanto, disse ao homem: "Podes ficar com os dois ovos, este não é o meu alimento!"
Retornando à sua casa, o caçador cozinhou os dois ovos de alakasó e deu-os de comer a seus filhos.
Horas depois Ikú apareceu e, batendo na porta, disse: "Venho buscar a minha parte pois tenho fome e nada encontrei para comer."
O homem então respondeu: "Ai de mim! Dei os ovos de alakasó para meus filhos e agora nada tenho para oferecer-te..."
Sem sequer esperar pelo final da explicação, Ikú, imediatamente, devorou o homem e seus dois filhos.Orunmilá não tinha onde viver e, em todos os locais em que chegava, acabava sendo escorraçado.
Um dia, em companhia de Oxun, saiu em busca de um lugar onde pudesse fixar-se definitivamente.
Chegando à beira da praia avistaram uma grande baleia que tentava devorar alguns macaos14.
Agradecidos, os macaos ofereceram seus caracóis à Orunmilá para que pudessem servir-lhe de moradia.
Os filhos de Ejiogbe devem possuir dois caracóis de macao, carregados com: terra do solo de sua casa, pó de chifre, obí, orogbo, ouro, prata, pó de ekú, pó de ejá, epô, agbado15, folhas de Ejiogbe, areia do mar. Estes caracóis, depois de prontos, permanecem dentro do igbá-Orunmilá.
4 - Olofin queria abandonar a Terra e, para tal, solicitou a ajuda de Orunmilá.
Sabendo da pretensão de Olofin, Ikú, solicitamente, apresentou-se para ajudar Orunmilá em sua tarefa.
Sem poder discriminar qualquer de seus filhos, Olofin resolveu submete-los à uma prova, para saber qual dos dois, Orunmilá ou Ikú, iria ajudá-lo na viagem de volta ao Orun16 e determinou que, aquele que conseguisse passar três dias inteiros sem tomar qualquer alimento, seria seu acompanhante.
No segundo dia de teste, Orunmilá, atormentado pela fome, encontrava-se sentado à porta de sua casa quando Exú, que servia de fiscal da disputa, aproximou-se e disse: "Tens fome?" Ao que Orunmilá respondeu: "Sim, estou quase desfalecendo de tanta fome!""Por que então, não comemos alguma coisa? Também estou faminto!"
"Mas estou sendo submetido a uma prova e não posso comer até que se passem três dias." Respondeu Orunmilá.
"Não te preocupes, deixa que eu me encarrego de providenciar tudo e não advirá nenhum problema."
Exú abateu um galo e duas galinhas, temperou, cozinhou e comeu na companhia de Orunmilá. Depois, recolheu tudo o que sobrou e, sem deixar o menor vestígio, enterrou num local onde se jogava o lixo.
Pouco depois chegou Ikú que, também atormentado pela fome, foi procurar na lixeira alguma coisa que pudesse aliviar seu tormento e, encontrando os restos que Exú havia enterrado, comeu-os com avidez.
Exú, que o tinha seguido, surpreendeu-o comendo e, por este motivo, Orunmilá foi declarado vencedor.
Este itan é prenúncio de que a pessoa será surpreendida fazendo algo que não deve e isto lhe trará muitos problemas e muita vergonha.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Os Mandamentos de Ifá






Para aqueles que penssam que a religião (candomblé, Umbanda, culto a Ifá, etc) não tem seus preceitos de conduta veja abaixo os Mandamentos de Ifá, que vale para todos que cultuam o Orixá. No final do artigo contém um video com babalawo nigéria recitando um Oriki de Ori (nossa cabeça) 
Muitos andam pela vida sem rumo e acaba indo buscar os conselhos de Ifá (Deus da adivinhação). Este era o caso dos ancestrais que buscaram cobrar de Ifá a promessa feita por Olodumare (Deus), que dava a eles uma vida longa.


Assim Ifá advertiu:

1 - não digam o que não sabem (èsúrú pode ser tanto uma conta sagrada como um nome de uma pessoa);
2 - não façam ritos que não saibam fazer (novamente avisa não troquem a conta sagrada pelo nome);
3 - não enganem as pessoas (trocando a pena de papagaio por morcego);
4 - não conduzam as pessoas a uma vida falsa (mostrando a folha de Iroko e dizendo que é folha de oriro);
5 - não queiram ser uma coisa que vocês não são (não queiram nadar se vocês não conhecem o rio);
6 - não sejam orgulhosos e egocêntricos;
7 - não busquem o conselho de Ifá com más intenções ou falsidade (Àkàlà é um título usado para Orumila);
8 - não rompam (não mudem) ou revelem os ritos sagrados, fazendo mal uso deles;
8 - não sujem os objetos sagrados com as impurezas dos Homens; busquem nos ritos sagrados somente coisas boas;
10- os templos devem ser lugares puros, onde a sujeira do caráter humano deve ser lavada;
11- não desrespeitem ou inferiorizem os que têm maior dificuldade de assimilar conhecimentos ou deficiências no caráter, ajude-os a mudar;
12- não desrespeitem os mais velhos, a sabedoria está com eles, a vida os fez aprender;
13- não desrespeitem as linhas de condutas morais;
14- nunca traiam a confiança de seu semelhante;
15- nunca revelem segredos que lhe são confiados; falar pouco e somente o necessário demonstra sabedoria;
16- respeitem os que possuem cargos de responsabilidade maior; o Babaláwo é um Pai, portanto, é devido grande respeito aos Pais.

Mas os ancestrais não cumprem as determinações de Deus, trazidas e mostradas por Òrúnmìlà. Deus usa os Orixás para advertir o Homem, mas não obtém sucesso. O Homem não ouve os conselhos. Mesmo assim, em erro, o Homem ainda acusa a Orunmila. Mais uma vez não reconhecendo seus próprios erros. O Homem tem esse hábito, o de culpar os outros pelas suas maneiras erradas.
Diante de tais atitudes, Deus fica desobrigado de cumprir Sua palavra com o Homem, permitindo então que o Homem morra idoso e venha a renascer jovem, para que uma nova caminhada de aprendizados se inicie, em outra vida, em outro lugar, e quem sabe assim, nessa nova etapa, o Homem aprenda os mandamentos de Ifá pondo fim a esse ciclo sofrido.
Assim se repetirão esses ciclos, até que o Homem aprenda a mudar, tornando-se um Egúngún Àgbà (Ancestral Ilustre) que recebe funções mais importantes no Òrun (no Além)!
oloje iku ike obarainan

terça-feira, 19 de novembro de 2013

sábado, 16 de novembro de 2013

Zumbi.






Era uma princesa africana, filha do importante Rei do Congo. Numa guerra entre reinos africanos, foi derrotada, juntamente com seu exército de 10 mil guerreiros e transformada em escrava. Foi levada para um navio negreiro e vendida ao Brasil, vindo para o Porto de Recife.

Comprada como escrava reprodutora foi levada para região de Porto Calvo, no sul de Pernambuco. Lá conheceu as histórias de resistência dos negros na escravidão, conhecendo então a trajetória de Palmares, um dos principais Quilombos negros durante o período escravocrata.
Aqualtune, nos últimos meses de gravidez ,organizou uma fuga junto com outros escravos para o quilombo, onde teve sua ascendência reconhecida, recebendo, então, o governo de um dos territórios quilombolas, onde as tradições africanas eram mantidas.

Aqualtune era da família de Ganga Zumba, e uma de suas filhas teria gerado Zumbi. Em uma das guerras comandadas pelos paulistas para a destruição de Palmares, a aldeia de Aqualtune, que já estava idosa, foi queimada. Não se sabe ao certo a data de sua morte.

Ewé Dan- Jibóia (Epipremnum pinnatum)







A Jibóia (Epipremnum pinnatum) é uma planta semi-herbácea e de hábito trepador (epífita), pertence à família das Aráceas, onde encontramos os antúrios, as costelas de adão e os filodendros. Suas folhas nascem pequenas, brilhantes e sem recortes, conforme a planta vai se alastrando e chega próxima a um suporte em que possa se sustentar, suas folhas crescem e tornam-se recortadas, lembrando muitas vezes a costela-de adão (Monstera deliciosa).

Quando cultivadas dentro de casa, não chegam a atingir 2 metros, porém na natureza podem ultrapassar os 20 metros de altura. Suas folhas nesse caso podem alcançar quase 1 metro de largura.

De acordo com o dicionário tupi, a palavra “mbóia” ou “mboy” designa cobra, e “y” seria água, em uma pronúncia gutural difícil de ser grafada. O nome jibóia tem origem indígena e significa literalmente “cobra d’água”.

Epipremnum aureum (Folha crescendo em tronco de árvore)
Segundo uma lenda indígena, a Jibóia Branca guardava o segredo do conhecimento, mistério e ciência da floresta encantada. Conta-se que um guerreiro procurando por caça acabou encontrando um encantado, a Jibóia Branca, que morava no lago grande. e se transformava em mulher, ia para a terra e depois voltava para o lago. A partir desse encontro, o guerreiro se apaixonou e pediu ela em casamento. O guerreiro e a Jibóia tiveram uma vida muito boa, tendo acesso ao conhecimento e aprendizado no mundo espiritual. Nesse lago grande, na comunidade da Jibóia Branca, viviam muitos encantados. Todos eles conheciam o segredo das plantas do poder, entre elas o cipó ayahuasca (nixi pae) e a folha kawa. E foi dessa maneira que a utilização dessas plantas ficou conhecida entre os povos da mata.

A jibóia é considerada uma planta encantada, principalmente entre os povos do Norte e Nordeste do país. Dizem que ela seria uma excelente planta para proteção, quando cultivada em casa protegeria os moradores contra energias e pessoas negativas. Alguns acreditam que, quando uma jibóia é cultivada onde há uma mulher solteira, a planta é capaz de atrasar ou atrapalhar um futuro casamento, pois afasta possíveis pretendentes. Outra crença é que ela não deve ser cultivada dentro d’água em casa, pois atrairia fofoca, ejó, segunda a língua do povo de santo.

Segundo o Feng Shui, não se deve deixar que ela se enrole dentro do vaso, e sim que ela suba pela parede. Nesse caso sua indicação seria para harmonização dos ambientes e favorecimento do crescimento profissional, utilizada nos ambientes fechados como escritórios e salas de reuniões.

A jibóia encontra-se na lista divulgada pela NASA das plantas de interior campeãs na filtragem do ar. Essas plantas agiriam não só reciclando o dióxido de carbono (CO2) e liberando oxigênio, mas também retirando diversos poluentes do ar, como os gases formaldeídos, utilizados na fabricação de corantes e vidros.

Filodendro e Costela-de-adão
Embora possua diversos aspectos positivos, devesse ter atenção redobrada com relação a essa planta, principalmente em ambientes com crianças e animais domésticos, pois como outros representantes de sua família (comigo-ninguém-pode e o filodendro, por exemplo) acumulam cristais de oxalato de cálcio em seus tecidos, tornando-se tóxicas quando mastigadas ou ingeridas. Esses cristais podem afetar a orofaringe, causando irritação oral e inchaço das mucosas do trato gastrointestinal. Talvez esse seja um dos motivos pelo qual a jibóia também é conhecida como era-do-diabo..

Nas casas de Candomblé a jibóia é tida como uma ewé apa òsí, estando ligada tanto ao elemento água como a terra, embora também transite pelo ar. Em seu nome ioruba também trás alusão a cobra mítica, ewé dan, folha da serpente. Costuma ser empregada com certa freqüência em alguma casas de Jeje, nos processos de iniciação e em baixo das esteiras (enim/zocré) do vodunsi. Essa folha é consagrada ao orixá Oxumare.

Oxumare. By Patrick de Ayrá
Oxumarê é o grande orixá da transformação, do movimento e das mudanças. Nas casas de tradição Jeje é conhecido pelo nome de Bessem, Dambará ou simplesmente Dan, o que justifica seus filhos serem chamados dansí. Dan é o vodun senhor de tudo que é sinuoso e curvo. As trepadeiras estão sob a sua guarda.

Oxumare. Arte de Patrick de Ayrá
Recordo-me com saudades de sempre que recebíamos a visita de babá de Oxumare ele puxava essa cantiga durante a Sassaiyn:

Igí Okinkan (Oriká)- Caja mirim/Spondias lutea







Árvore de força, local de morada de Ogún e de diversos voduns, é considerada um importante àtinsá vodun, chamada pelos Jeje akikon’tin. Aos seus pés são reverenciados os voduns Gun, Fá e Azanadò (Bessén). Durante a festa do Gbòitá essa árvore costuma ser adornada com ojás brancos, recebendo diverssas homenagens. É interessante lembrar que durante oKpólè, ritual que faz parte da festa e ocorre por vários dias, todos os voduns irão saudar as árvores sagradas
Oriká
(àtinsá) do barracão. Na ocasião da procissão do Gbòitá cabe a Gun carregar a oferenda do Gbòitá, seguido dos demais voduns. É uma cerimônia emocionante.

Outro fato interessante com relação a cajazeira é que ela também é conhecida como Igí Eyé (Árvore do Pássaro) ou Igí Ìyeyè (Árvore da Mãe (ou das Mães)). Segunda uma lenda, essa foi uma das árvores escolhidas pelas Iyá Mí Eleyé para pousarem e descansarem. Alí elas decidiram que concederiam felicidade ou infelicidade, conforme fosse o desejo de cada um. Suas folhas têm o poder de afastar as coisas ruins e atrair a sorte.
A ela cultuamos e para elas cantamos:
E Ogun mo lo mo

Irè Ogun mo mo

Ewé òkiká kiki

Ogun mo lo mo

Irè Ogun mo

Òkiká kiki

Awùrépépé (Spilanthes acmella – Jambú/treme treme)







Hoje vou falar sobre uma folha muito importante dentro do culto aos orixás, o jambú. Nas casas de Candomblé Ketú recebe os nomes de awùrépépé, éurépepe ou ainda oripépe. Pela sua importância é tida como uma planta de oro, ou seja, de fundamento. Folha ligada aos mistérios da Deusa da Fertilidade, Oxum. Às vezes é confundida com o bánjókó (Acmella brasiliensis), erva também consagrada a Senhora dos Rios. Suas flores são consagradas a Exú, orixá da procriação, aquele que promove as uniões. O jambú costuma crescer em regiões úmidas, estando também, de certa forma, associado a Oxalá, o Senhor da Criação. Quando observamos esses três aspectos ligados a essa planta (Fertilidade/Procriação/Criação) conseguimos entender porque ela é tão importante no processo de iniciação de um iyawo. Oxum é o grande útero que povoa o mundo. Exú é aquele que faz o possível (e o impossível) para que esse útero seja fecundado, cabendo a Oxalá permitir que possamos ser criados no mundo espiritual (orun) e assumir o nosso papel no ayé (mundo dos vivos). Podemos dizer que essa folha carrega em si essa força, que permitirá o nascimento do iyawo dentro do culto aos orixás.
O jambú é uma planta tipicamente brasileira, sendo conhecido por vários nomes dentro da cultura popular: abecedária, agrião-bravo, agrião-do-brasil, agrião-do-norte, agrião-do-pará, botão-de-ouro, erva-maluca, jabuaçú, jaburama, jambu-açú, jamaburana, mastruço, nhambu. Dentro do mundo científico são conhecidas diversas espécies que recebem a denominação de jambú, as principais são: Spilanthes acmella e Blainvillea acmella. Dentro da medicina popular costuma ser utilizada para diversos fins, como: antifúngico, anti-séptico, antibacteriano, anestésico, antigripal. É comum entre alguns povos da Amazônia a mastigação das folhas e flores do jambú para aliviar dores nos dentes.

É interessante notar que esse conhecimento, acumulado principalmente pelas populações tradicionais como ribeirinhos, grupos indígenas e quilombolas, vem sendo comprovado por diversos estudos científicos. Alguns desses estudos indicam a presença de alcalóides com propriedades inseticidas, podendo ser utilizados no combate do Aedes aegypti. Um dos principais compostos químicos presentes no jambú é o espilantol. Infelizmente para nós, brasileiros, essa substância (espilantol) já foi patenteada por Norte Americanos e Europeus. Com isso, se quisermos produzir e comercializar remédios e cosméticos a base do nosso jambú teremos que pedir permissão e pagar a esses países. Por exemplo, já existem laboratórios estrangeiros trabalhando na produção de cosméticos anti-rugas a base de espilantol. Esse produto seria aplicado na musculatura subcutânea do rosto, inibindo as contrações musculares de forma muito semelhante ao botox. Porém teria a vantagem de apresentar um grau de toxicidade menor. É realmente uma situação lastimável, principalmente se lembrarmos que o conhecimento para se chegar a esse cosmético provavelmente veio de nossas comunidades tradicionais.. Quando iremos acordar hein?
Dentro da culinária da Amazônia e do Pará essa folha é muito apreciada, servindo como base para diversos pratos, como o pato no tucupi e o tacacá. Ambos são herança de nossos povos indígenas. O tucupi é um caldo retirado da raiz de mandioca brava, e que leva horas para ficar pronto, tempo necessário para que perca todo o ácido cianídrico, extremamente tóxico. Já o tacacá é um prato composto com o tucupi bem quente e misturado com farinha de tapioca, camarão e folhas de jambú. Quando se come essa iguaria é normal que a língua fique dormente e os lábios comecem a tremer, fato que justifica o outro nome dessa folha “treme treme”.

Outro fato interessante em relação a esse ewé é a sua utilização em pomadas para aumentar a libido feminina, servindo
assim como estimulante sexual para mulheres. Essa ação se daria principalmente através do aumento da contração (peristaltismo) da região genital feminina.

Um estudo realizado pela Universidade Federal do Ceará constatou que a pomada de jambú utilizada em um grupo de homens e mulheres conseguiu aumentar significativamente o desejo sexual e a excitação feminina, assim como o desejo e a satisfação sexual masculina durante a atividade sexual. Mais um fato que comprova que nossos mais velhos sabiam muito bem o porquê da sua utilização.

Vocês se recordam do início do texto? Exú/ Oxum/Oxalá (Procriação/Fertilização/Criação)..

Embora muitos considerem essa folha como eró (que apazigua) o awùrépépé também pode ser considerada uma folha gún (que acorda, desperta). Folha poderosa, que cantamos na sassayin:

Amúnimúyè (Centratherum punctatum)Balainho-de-velho, perpétua-roxa, perpétua-do-mato









Conta a lenda que “Oxóssi, o grande caçador e rei da nação Ketu, foi avisado do perigo que corria ao percorrer todos os dias os domínios de Ossain. Este orixá, dono das “folhas” costumava prender junto a si aqueles que se aventuravam em suas matas. Certo dia, deu-se o encontro e Oxóssi bebeu da poção que Ossain lhe ofereceu, permanecendo junto a ele sem consciência de quem era, esquecendo sua família e seus afazeres. Havia tomado amúnimúyè, a “folha do esquecimento” ou “a que tira a consciência”” (PESSOA DE BARROS, 1994)

Balainho de velho (amúnimúyè)
A folha que nos referimos é conhecida nas casas de Candomblé como amúnimúyè, que significa “aquela que se apossa de uma pessoa e de sua inteligência”. Devido a suas propriedades mágicas é considerada importantíssima nos rituais de iniciação, onde, associada a outros componentes, irá facilitar o transe e permitir que o orixá se aproxime de seu filho. Embora esteja ligada ao transe, é considerada uma folha eró e não gún. Seu principal aspecto é masculino e seu elemento é o ar.

No Brasil o amúnimúyè é também conhecido pelos nomes balainho-de-velho, perpétua-roxa ou perpétua-do-mato. Em terras tupiniquins, a espécie original (Senecio abyssinicus) foi substituída pelo Centratherum punctatum, ambas pertencentes à família botânica Compositae, segundo nos informa Eduardo Abiodun.

Centratherum punctatum (Jardim Botânico do Rio de Janeiro)
Estudos das folhas de balainho-de-velho, baseados em análises fitoquímicas, revelaram a presença de, pelo menos 49 componentes, entre flavonóides, taninos e glicosídeos, dos quais os flavonóides apresentaram comprovada atividade antibacteriana. Outras substâncias abundantes nesses extratos vegetais foram os sesquiterpenos, presentes em diversos óleos essenciais. Além da ação antimicrobiana, o extrato de balainho-de-velho também apresentaria propriedades antioxidantes.

Senecio abyssinicus
Um fato interessante dessa planta é que ela se destaca como uma das principais flores visitadas pelas abelhas da espécie Apis mellifera, sendo excelente fornecedora de néctar, ajudando assim no aumento da produção de mel. Segundo é bem conhecido por todos no Candomblé, o mel é uma das principais kizilas (ewó/interdito) de Oxóssi.. Dizem que quando ele come mel, fica completamente perdido, sendo facilmente dominado.. Igual a Barú quando come ilá (quiabo).. Lembram da lenda que contamos? Ossain não era bobo e sempre carregava amúnimúyè em sua grande cabaça (igbá) do mistério.

MALVA-CHEIROSA








Também chamada de malva-de-botica, malva-alta e malva-grande.
É uma planta nativa da Europa, Ásia e África. Pertence à família Malvaceae e seu nome científico é Malva sylvestris L.. É uma planta herbácea anual ou bianual, de até 1 m de altura, com folhas alternas, glabras ou pilosas, palminérvias, riniformes ou cordiformes e com margens lobadas e serreadas. Suas flores são púrpuras ou de variações de rosa, surgindo na primavera e no verão

É uma planta que corresponde à vibração do Orixá Oxossi com intermediação para Oxalá, representada pelo Caboclo Arruda e relacionada ao Exu Campina (81).
Em termos medicinais, a malva-cheirosa apresenta propriedades adstringentes, expectorantes e cicatrizantes e é utilizada em banhos, gargarejos, contusões, hemorróidas e inflações de boca e garganta; as flores de malva-cheirosa têm sabor adocicado e podem ser consumidas em saladas ou cristalizadas para serem usadas como enfeites em confeitaria (82).
Pesquisas têm registrado os conhecimentos etnobotânicos sobre essa planta: utilizada como planta medicinal na Itália (83); folhas e flores utilizadas como alimento e chá na Turquia (84); e, utilizada como planta medicinal em Portugal .

ERVA-DE-SÃO-JOÃO







Também chamada de mentrasto, picão-roxo, macela-de-são-joão e catinga-de-bode.
É uma planta cosmopolita tropical, ou seja, ocorre em praticamente todas as regiões tropicais. Pertence à família Asteraceae (Compositae) e seu nome científico é Ageratum conyzoides L.. É uma planta herbácea anual, ereta, pilosa e aromática, com até 1 m de altura. Inflorescência tipo capítulo com 30-50 flores de cor lilás a branca

A erva-de-são-joão, também chamada de nagô isúmi uré nos candomblés brasileiros, está ligada aos orixás Xangô e Orumilá e é utilizada “(...) em banhos de purificação e sacudimentos para combater feitiços, pois é considerada uma das melhores ‘folhas de defesa’ nos terreiros jêje-nagôs. [Inclusive] (...) tem a finalidade de combater os feitiços enviados pelas Ìyámi (feiticeiras)” (74).
Em termos medicinais, possui propriedades hemostática e cicatrizante de ferimentos; usado também como antiinflamatório (75). O chá de suas folhas também é utilizado contra cólicas intestinais causadas por diarréia e aerofagia, além de ser considerado tonificante, antidepressivo, excitante, antiinflamatório, analgésico e cicatrizante (76).
A utilização de espécies de Agerantum como planta medicinal e os conhecimentos etnobotânicos sobre elas já foram registrados em diversos países, tais como: na medicina tradicional da Nigéria (77); na medicina tradicional dos Vaidyas, médicos Ayurvedas, médicos da ciência da vida, na Índia (78); na medicina da tradicional da Comunidade Mumbuca, no município de Jalapão, estado de Tocantins, Brasil 

Ewé Apìkán- Datura metel (Trombeteira Roxa)






Planta arbustiva, que não ultrapassa um metro e meio de altura, originária dos continentes africano e asiático. É extremamente tóxica e possui a utilização restrita dentro do culto aos orixás nas casas de Candomblé. Segundo alguns, deve-se ter muito cuidado ao coletá-la, sendo uma tarefa restrita para poucos iniciados. É por diversas vezes citada por Verger em trabalhos para prejudicar alguém. Como diversas plantas venenosas, está ligada a Esú e Ossaiyn.
oloje iku ike obarainan

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

JEQUIRITI 2 (Abrus precatorius (Wérénjéjé, Ewé jéjé))








Jequiriti, olho-de-pombo, tento-miúdo, olho de saci, olho- de-exú.

Trepadeira nativa da Mata Atlântica e de Florestas do Caribe, essa folha possui imenso prestígio entre os adeptos do Candomblé, pois é uma das principais folhas de Esú e Osaiyn. Algumas pessoas costumam brincar que enquanto Ogún se veste com o mariwo, Ossaiyn se veste com o owérenjèjé. Outro nome que recebe é Ewé Àse (folha do poder), denotando assim sua grande força e motivo pelo qual merece destaque. Embora seja considerada a primeira folha do orò, durante o ritual da Asà Òsányìn é a folha que deixamos para cantar por último, momento em que, logo após, se canta para Esú Odara. O tento miúdo guarda muitos mistérios consigo pois, ao mesmo tempo que permite que o Esú individual (Bara) dê caminhos aos homens também pode trazer muita confusão e discórdia, quando empregada de forma incorreta.

É muito usado dentro da Santeria na forma de Omí eró, os negros cabinda a chamam pelo nome de Nfingu e utilizam suas folhas para acalmar a tosse, maceradas com vinho de palma ou simplesmente mastigando-as. Entretanto, o jequiriti é extremamente tóxico, uma vez que de suas sementes é extraída uma grande quantidade de proteínas venenosas, entre elas a abrina, que possui ação parecida com o veneno da víbora. Por isso está incluída entre as plantas mais venenosas do mundo. Suas propriedades toxicológicas e fisiológicas são capazes de aglutinar hemácias impedindo assim a circulação do sangue, sendo altamente letais em pequenas quantidades. Essa planta ficou muito conhecida no filme “A Lagoa Azul”, pois teria sido a “planta proibida” que após ser ingerida pelo casal de amantes levou os mesmos a morte.


Na fitoterapia, suas folhas costumam ser aplicadas em solução sobre a pele, em caso de eczemas cutâneos e para tratar conjuntivite (1 mL de líquido da semente em 100 mL de água). As sementes servem como contraceptivo oral, misturadas com outros ingredientes. É importante observar que a ingestão de suas sementes cruas pode causar dor abdominal, náusea, vômito, diarréia, calafrios, vertigem, desmaios e sangramento retal. Alguns estudos revelaram que a abrina quando aplicada na forma de injeção subcutânea pode causar convulsão e morte devido à paralisia cardíaca. Por isso devemos ter muito cuidado com a utilização desse poderoso ewe, que é extremamente quente (gún).

Wérénjèjé,

Kan kan ma obarìsà

Ìbá ni bàbá

Ìbá ni yeye

Ìbá nba tun so

Ma so ku arò

A fi ipa nla d’àsé

Omo Obàtalá

Bàbá ye Oba alaiyé
Eurenjeje, eurenjeje

Adoramos orixá somente

A benção é do pai

A benção é da mãe

A benção direi de novo

Direi bom dia

Aquele que usa grande força para ordenar

Filho de Obatalá

Pai, por favor, Rei do Mundo
Bàbà ere ije je

Bàbà ere ije je

Gba akòrò agbá òrìsà

Igba eyín bàbà

Igba eyín yeye

Igba eyín bàbà da koso lo ma arò

A fi pa Ada asé Omo Obàtàlà

E bàbà e araiyè
oloje iku ike obarainan

terça-feira, 12 de novembro de 2013

iRôco,






Árvore africana, também conhecido como Rôco, Irôco, é um orixá, cultuado no candomblé do Brasil pela nação Ketu e, como Loko, pela nação Jeje. Corresponderia ao Nkisi Tempo na Angola/Congo.


No Brasil, Iroko é considerado um orixá e tratado como tal, principalmente nas casas tradicionais de nação ketu. É tido como orixá raro, ou seja, possui poucos filhos e raramente se vê Irôko manifestado.

Para alguns, possui fortes ligações com os orixá chamados Iji, de origem daomeana: Nanã, Obaluaiyê, Oxumarê. Para outros, está estreitamente ligado a Xangô. Seja num caso ou noutro, o culto a Irôko é cercado de cuidados, mistérios e muitas histórias.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Exú








Orixá Princípio de Movimento e Interligação !!!
O Mensageiro dos Orixás!!!
Exú pode ser o mais benevolente dos Orixás se é tratado com
consideração e generosidade.
O ARQUÉTIPO DE EXÚ
Os filhos de Exú possuem um caráter ambivalente, ora são
pessoas inteligentes e compreensivas com os problemas dos
outros, ora são bravas, intrigantes e ficam muito contrariadas. As
pessoas de Exú não têm paradeiro, gostam de viagens, de andar
na rua, de passear, de jogos e bebidas.
Quase sempre estão envolvidas em intrigas e confusões. Guardam
rancor com facilidade e não aceitam ser vencidas. Por isso para
ter-se um amigo ou filho de Exú é preciso que se tenha muito jeito e compreensão ao tratar-se com ele.
A Lenda
Conta a lenda que houve uma demanda entre Exú e Oxalá para que pudesse saberquem era o mais forte e
respeitado, e foi aí que Oxalá provou a sua superioridade pois, durante o combate, Oxalá apoderou-se da
cabaça de Exú a qual continha o seu poder mágico transformando-o assim em seu servo.
Oxalá então permitiria que Exú a partir de então recebesse todas as oferendas e sacrifícios em primeiro
lugar. A Importância de Exú é
fundamental, uma vez que ele possui o privilégio de receber todas as oferendas e obrigações em primeiro
lugar, nenhuma obrigação deve ser feita sem primeiro saudar a Exú.
É o dono de todas as encruzilhadas e caminhos, é o homem da rua, quem guarda a porta e o portão de nossas
casas, quem tranca, destranca e movimenta os mercados, os negócios, etc. Exú também nos confirma tudo
no jogo de IFÁ (Búzios).
Lenda
Conta-se que Aluman estava desesperado com uma grande seca. Seus campos estavam secos e a chuva não
caia. As rãs choravam de tanta sede e os rios estavam cobertos de folhas mortas, caídas das árvores.
Nenhum Orixá invocado escutou suas queixas e gemidos.
Aluman decidiu, então, oferecer a Exú grandes pedaços de carne de bode. Exú comeu com apetite desta
excelente oferenda. Só que Aluman havia temperado a carne com um molho muito apimentado. Exú teve
sede. Uma sede tão grande que toda a água de todas as jarras que ele tinha, e que tinham, em suas casas, os
vizinhos, não foi suficiente para matar sua sede!
Exú foi á torneira da chuva e abriu-a sem pena. A chuva caiu. Ela caiu de dia, ela caiu de noite. Ela caiu no
dia seguinte e no dia depois, sem parar. Os campos de Aluman tornaram-se verdes. Todos os vizinhos de
Aluman cantaram sua glória:
l Dono dos dendezeiros, cujos cachos são abundantes;
l Dono dos campos de milho, cujas espigas são pesadas!
l Dono dos campos de feijão, inhame e mandioca!
E as rãzinhas gargarejavam e coaxavam, e o rio corria velozmente para não transbordar! Aluman,
reconhecido, ofereceu a Exú carne de bode com o tempero no ponto certo da pimenta. Havia chovido
bastante. Mais, seria desastroso! Pois, em todas as coisas, o demais é inimigo do bom.

Ogum













Ogum como personagem histórico, teria sido o filho mais velho de Odùduà, o fundador de Ifé. Era um temível guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos. Dessas expedições, ele trazia sempre um rico espólio e numerosos escravos. Guerreou contra a cidade de Ará e a destruiu. Saqueou e devastou muitos outros Estados e apossou-se da cidade de Irê, matou o rei, aí instalou seu próprio filho no trono e regressou glorioso, usando ele mesmo o título de Oníìré, "Rei de Irê". Por razões que ignoramos, Ogum nunca teve o direito a usar uma coroa (adé), feita com pequenas contas de vidro e ornada por franjas de missangas, dissimulando o rosto, emblema de realeza para os iorubás. Foi autorizado a usar apenas um simples diadema, chamado àkòró, e isso lhe valeu ser saudado, até hoje, sob os nome de Ògún Oníìré e Ògún Aláàkòró inclusive no Novo Mundo, tanto no Brasil como em Cuba, pelos descendentes dos iorubás trazidos para esses lugares. Ogum teria sido o mais enérgico dos filhos de Odùduà e foi ele que se tornou o regente do reino de Ifé quando Odùduà ficou temporariamente cego (informação pessoal do Óòni(rei) de Ifé em 1949).

Como Orixá, Ogum é o deus do ferro, dos ferreiros e de todos aqueles que utilizam esse metal.Foi um temível guerreiro, que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos. Dessas guerras trazia sempre um rico espólio.

Os lugares consagrados a Ògún ficam ao ar livre na entrada dos palácios dos reis e nos mercados. Estes lugares são geralmente pedras em forma de bigorna, colocadas perto de uma grande árvore: Àràbà. São protegidos por uma cerca de plantas nativas, chamadas peregun ou akoko. Nestes locais periodicamente os sacerdotes realizam suas oferendas.

É costume dizer-se que existem 7 (sete) clãs de Ogum, sendo as formas mais conhecidas: Lebede ou Ogum-de-Le (o jovem), Meje (o sétimo e o velho), Obefaram, Mika, Ogunfa (mora com Ososi e Esu), Xoroque (vive nos portões e nas estradas com Esu).
Lendas

... divididos

Outra lenda nos fala sobre de um dos combates contra sua ex-esposa oyá no qual entre dois golpes deferidos por ambos ao mesmo tempo , ogun se transformou em sete (mejê) e oyá em nove (mesan).
Conta a lenda que Oyá era companheira de Ogún antes de se tornar a mulher de Sàngó. Ela ajudava Ogún, Rei dos Ferreiros, no seu trabalho. Carregava docilmente seus instrumentos da casa à oficina. E aí ela manejava o fole para ativar o fogo da forja. Um dia Ogún ofereceu a Oyá uma vara de ferro, semelhante a uma de sua propriedade, que tinha o dom de dividir em sete partes os homens e em nove as mulheres, que por ela fossem tocadas no decorrer de uma briga. Sàngó gostava de vir sentar-se a forja apreciar Ogún bater e modelar o ferro e, freqüentemente, lançava olhares a Oyá. Esta, por seu lado, também o olhava furtivamente. Segundo um contador de histórias, Sàngo era muito elegante. Seus cabelos eram trançados como os de uma mulher. Sua imponência e seu poder impressionaram Oya. Aconteceu então, o que era de se esperar: ela fugiu com ele. Ògún lançou-se à sua perseguição. Ao encontrar os fugitivos, bradou sua vara mágica e Oya fez o mesmo, eles se tocaram ao mesmo tempo. E assim Ògún foi dividido em sete partes e Oya em nove. Ele recebeu o nome de Ògún-Mége-Iré e ela Ìyá Mésàn.
... a sua ira

Ogum decidiu, depois de numerosos anos ausente de Irê, voltar para visitar seu filho (informação pessoal do Oníìré em 1952). Infelizmente, as pessoas da cidade celebravam, no dia da sua chegada, uma cerimônia em que os participantes não podiam falar sob nenhum pretexto. Ogum tinha fome e sede; viu vários potes de vinho de palma, mas ignorava que estivessem vazios. Ninguém o havia saudado ou respondido às suas perguntas. Ele não era reconhecido no local por ter ficado ausente durante muito tempo. Ogum, cuja paciência é pequena, enfureceu-se com o silêncio geral, por ele considerado ofensivo. Começou a quebrar com golpes de sabre os potes e, logo depois, sem poder se conter, passou a cortar as cabeças das pessoas mais próximas, até que seu filho apareceu, oferecendo-lhe as suas comidas prediletas, como cães e caramujos, feijão regado com azeite-de-dendê e potes de vinho de palma. Enquanto saciava a sua fome e a sua sede, os habitantes de Irê cantavam louvores onde não faltava a menção a Ògúnjajá, que vem da frase ògún je ajá (Ogum come cachorro), o que lhe valeu o nome de ògúnjá. Satisfeito e acalmado, Ogum lamentou seus atos de violência e declarou que já vivera bastante. Baixou a ponta de seu sabre em direção ao chão e desapareceu pela terra adentro com uma barulheira assustadora. Antes de desaparecer, entretanto, ele pronunciou algumas palavras. A essas palavras, ditas durante uma batalha, Ogum aparece imediatamente em socorro daquele que o evocou.

... disputando com Sango

Ogum e Sango nunca se reconciliaram e, vez por outra, se degladiavam nas mais absurdas disputas. Certa vez Ogum propôs a Sango que dessem uma trégua em suas lutas, pelo menos até a próxima lua que chegaria. Sango fez alguns gracejos ao quais Ogum revidou, mas decidiram por uma aposta, continuando assim a disputa.
Ogum propôs que ambos fossem à praia e recolhessem o maior número de búzios que conseguissem e quem vencesse daria ao perdedor o fruto da coleta.
Deixando Sango, Ogum seguiu para a casa de Oiá e solicitou-lhe que pedisse à Ikú (a morte) que fosse à praia no horário em que ele havia combinado com Sango. Oiá exigiu uma quantia em ouro, o que prontamente recebeu de Ogum. Na manhã seguinte, Ogum e Sango se apresentaram na praia, iniciando a disputa.
Vez por outra se entreolhavam e Sango cantarolava sotaques jocosos contra Ogum. O que Sango não percebeu é que Ikú havia se aproximado dele. Sango levantou os olhos e se deparou com Ikú que riu de seu espanto. Sango largou sua sacola com os búzios colhidos e desesperado se escondeu de Ikú. À noite Ogum procurou Sango mostrando seu espólio. Sango, envergonhado, abaixou a cabeça e entregou ao guerreiro o fruto de sua coleta".

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

OBÁ







Obá escolheu a guerra como prazer nesta vida, enfrentava qualquer situação e assim procedeu com quase todos os orixás. Um dia, Obá desfiou para a luta Ogum, o valente guerreiro, o ardiloso Ogum, sabendo dos feitos de Obá, consultou os babalaôs, eles aconselharam Ogum a fazer oferendas de espigas de milho e quiabos, tudo pilado, formando uma massa viscosa e escorregadia.

Ogum preparou tudo como foi recomendado e depositou o ebó num canto do lugar onde lutariam. Chegada a hora, Obá, em tom desafiador, começou a dominar a luta, Ogum levou-a ao local onde estava a oferenda, Obá pisou no ebó, escorregou e caiu, Ogum aproveitou-se da queda de Obá, num lance rápido tirou-lhe os panos e a possuiu ali mesmo, tornando-se, assim, seu primeiro homem.
Mais tarde Xangô roubou Obá de Ogum.
Notas bibliográficas Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – 2001

Obá provoca a morte do cavalo de Xangô
Xangô era um conquistador de terras e de mulheres, vivia sempre de um lugar para o outro. Em Cossô fez-se rei e casou-se com Obá. Obá era sua primeira e mais importante esposa, Obá passava o dia cuidando da casa de Xangô, moía a pimenta, cozinhava e deixava tudo limpo.
Xangô era um conquistador de terras e de mulheres. Uma vez Xangô viu Oyá lavando roupa na beira do rio e dela se enamorou perdidamente. Com Oiá se casou, mas Xangô era um conquistador de terra e de mulheres e logo se casou de novo.
Oxum foi a terceira mulher. As três viviam às turras pelo amor do rei, para deixar Xangô feliz, Obá presenteou-lhe um cavalo branco, Xangô gostou muito do cavalo, Tempos depois Xangô saiu para guerrear levando Oiá consigo, seis meses se passaram e Xangô continuava longe, Obá estava desesperada e foi consultar Orunmilá, Orunmilá aconselhou Obá a oferecer em sacrifício um iruquerê, espanta-mosca feito com rabo de um cavalo, mandou pôr o iruquerê no teto da casa.
Para fazer a oferta prescrita pelo oráculo, Obá encomendou a Eleguá um rabo de cavalo, e Eleguá induzido por Oxum, mais que depressa cortou o rabo do cavalo branco de Xangô, mas não cortou somente os pêlos e sim a cauda toda e o cavalo sangrou até morrer.
Quando Xangô voltou da guerra, procurou o cavalo e não encontrou, deparou então com o iruquerê amarrado no teto da casa e reconheceu o rabo do cavalo desaparecido, soube pelas outras mulheres da oferenda feita pela primeira esposa.
Xangô ficou irado e mais uma vez repudiou Obá.
Notas bibliográficasMitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – 2001

A rivalidade de Obá e Oxum

Obá tornou-se a terceira mulher de Xangô, pois ela era forte e corajosa. A primeira mulher de Xangô foi Oiá-Iansã, que era bela e fascinante.A segunda foi Oxum, que era coquete e vaidosa.
Uma rivalidade logo se estabeleceu entre Obá e Oxum. Ambas disputavam a preferência do amor de Xangô. Obá sempre procurava aprender o segredo das receitas utilizadas por Oxum quando esta preparava as refeições de Xangô.Oxum irritada, decidiu preparar-lhe uma armadilha. Convidou Obá a vir, um dia de manhã, assistir à preparação de um prato que, segundo ela, agradava infinitamente a Xangô.Obá chegou na hora combinada e encontrou Oxum com um lenço amarrado à cabeça, escondendo as orelhas.Ela preparava uma sopa para Xangô onde dois cogumelos flutuavam na superfície do caldo. Oxum convenceu Obá que se tratava de suas orelhas,que ela cozinhava, desta forma, para preparar o prato favorito de Xangô.Este logo chegou, vaidoso e altivo. Engoliu, ruidosamente e com deleite, a sopa de cogumelos egalante e apressado, retirou-se com Oxum para o quarto.
Na semana seguinte, foi a vez de Obá cuidar de Xangô. Ela decidiu pôr em prática a receita maravilhosa. Xangô não sentiu nenhum prazer ao ver que Obá se cortara uma das orelhas. Ele achou repugnante o prato que ela preparara.Neste momento, Oxum chegou e retirou o lenço, mostrando à sua rival que suas orelhas não haviam sido cortadas, nem comidas.Furiosa, Obá precipitou-se sobre Oxum com impetuosidade.Uma verdadeira luta se seguiu.Enraivecido, Xangô trovejou sua fúria. Oxum e Obá, apavoradas, fugiram e transformaram-se em rios.
Até hoje, as águas destes rios são tumultuadas e agitadas no lugar de sua confluência,em lembrança da briga que opôs Oxum e Obá pelo amor de Xangô.


Obá é uma grande guerreira, e foi uma das três esposas de Xangô. Conta a sua lenda que foi no seguimento de uma querela com Oxum, e com o intuito de obter a preferência de Xangô que ela cortou a orelha esquerda e, com ela, temperou um amalá para o seu esposo, pois Oxum a havia convencido de que fazendo isso, certamente ela iria conseguir o seu objectivo. O resultado foi contrário, pois Xangô detestou encontrar a orelha da esposa na sua comida e também a sua mutilação. Obá passou então a esconder a mutilação com a mão esquerda, com o seu escudo, ou também com um turbante.
QUALIDADES
1) Obá Gideo2) Obá Rewá
Em qualquer das suas qualidades é uma guerreira destemida, mas ressentida. Veste-se de vermelho, branco e dourado. Carrega espada e escudo. Gosta de acarajé, aberém, feijão fradinho, cabras, galinhas e coquéns. Recebe culto às quartas-feiras e os seus filhos são em pequeno número
oloje iku ike obarainan

Kelê, kele






Kelê, kele ou quelê é um fetiche ou seja: Objeto inanimado feito pelo homem ao qual se atribui poder sobrenatural e se presta culto. Cofeccionado com "miçangas" fio de conta, intercalada com firmas de porcelana, pedras tipo ágata e cristal, terra cota, búzios, lagdba, até mesmo sementes. Sua cor varia de acordo com o orixá de cada iniciado na feitura de santo. O Kelê é uma aliança que tem a finalidade de unir o sagrado com o iniciado, num simbolismo de casamento perfeito com o seu orixá, usando restritamente no pescoço, na iniciação, obrigação de três, sete, quatorze e vinte e um anos de feitura. Depois de um período que pode variar de 12, 14, 16, 21 e até mesmo três meses da obrigação ritualistica, a "jóia" do orixá como também é chamada, é determinado pelo orixa, através do merindilogun a ser colocada no assentamento sagrado "Igba orixa", podendo permanecer até a ultima obrigação do iniciado chamada de axexê, quando este objeto tão sagrado e místico é desfeito. Artigo e fotografia publicado na Wikipédia 01h30min de 29 de dezembro de 2008, por Toluaye. Embora não seja habitual se partir, rouper ou quebrar o Kelê, mas quando isso acontece não necessariamente significa um mau presságio, quebra de precito, pensamentos impuros, palavões etc. e tal. Todavia pode acontecer pelos movimentos bruscos, suores com grande quantidade de gorduras corporal ou simplesmente um descuido dos laços utilizados no momento da sua colocação. 

Odú Okaran








Okaran foi aquele que, nas divisões no orum, teria que dar caminho a todos seres criados por Obá Orixá, pois ele foi o primeiro Odú a nascer e passou a ser Igbá que seria a sustentação do Ayê.
Temos uma revelação, uma coincidência com o formato da terra. Sendo assim, Okaran passa a ser o primeiro no destino de todos os seres viventes na terra. Ele é o primeiro na vida e na morte, pois ele está sempre no novo recomeço, representado em cada nascer do sol, na primeira chuva que cai, na primeira estrela existente no Orun, na primeira hora do dia e é padroeiro do primeiro filho de um casal. É o protetor e defensor do "rombono". Todos os ebós e oferendas serão sempre na contagem de 01: 01 obí, 01 orobô, 01 vela, 01 moeda, etc.
Contam os nossos antigos que Oduduwá, almejando conhecimento e popularidade, fez oferenda a Okaran: uma pombo, um camaleão e uma galinha. Esta oferenda deu para ela o poder e a incumbência de criar a terra.
Podemos ver que Okaran, sendo reverenciado com respeito e sendo o primeiro na vida de cada ser, poderá trazer muita prosperidade e fartura no caminho daqueles que o cultuam.
A força desse Odú está vinculada a terra e ao fogo, reconhecida como Obá Oná.Somente Exú responde neste Odú, pois Exú é o mensageiro e pode estar em diversos lugares ao mesmo tempo: ele é princípio dinâmico, é aquele que pode fazer uma pessoa se sentir culpada mesmo que ela não tenha culpa, é aquele que pode entrar em uma festa, criar confusões e sair sem ser visto, pois Exú é o maior representante de Okaran no Ayê.
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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

tranca ruas das almas.



  





O “EXÚ TRANCA RUA DAS ALMAS”, QUE TEM SEU SEPULCRO NO CEMITÉRIO DA SAUDADE, LOCALIZADO NO MUNICÍPIO DE CAMPINAS, ESTADO DE SÃO PAULO, O QUAL JÁ FOI TEMA DE ASSUNTO NESTE BLOG, QUANDO EM VIDA NESTE PLANO, ERA FORMADO EM MEDICINA, EXERCIA A ATIVIDADE DE CLÍNICO GERAL, SENDO NA ÉPOCA A ATIVIDADE MAIS COMUM, DEVIDO AOS ESCASSOS AVANÇOS DA MEDICINA. COMO ELE MESMO ME DISSE: “- SOU DA ÉPOCA EM QUE SE BATIA COM UM COPO QUENTE NAS COSTAS E SE USAVAM SANGUESSUGAS PARA FAZER A SANGRIA.” ISSO EM MEADOS DO SÉCULO XIX.
NESTA CONVERSA ELE ME EXPLANOU SOBRE VÁRIOS ASSUNTOS, UM DELES. EM PARTICULAR ME CHAMOU A ATENÇÃO, QUANDO ME DISSE: “- EU ME ACHAVA MUITO IMPORTANTE E SÁBIO, QUANDO PEGUEI MEU DIPLOMA, MAS VÍ QUE NÃO SABIA NEM VALIA NADA………….QUANDO FIZ O QUE TINHA DE FAZER.”, ME EXPLICOU AINDA SOBRE A “SINDRÔME DE DEUS” QUE MUITOS MÉDICOS POSSUEM, DA ARROGÂNCIA, DA SOBERBA, DA LUXÚRIA E PODRIDÃO, DO MUNDO EM QUE VIVIAM, LONGE DO GLAMOUR ESBOÇADO PELAMÍDIA.
ME EXPLICOU TAMBÉM O PORQUE DE “TRANCA RUA DAS ALMAS”, TRANCA RUA É SOBRENOME DE FAMÍLIA, E “DAS ALMAS” PELO SEU ÊXITO NA REALIZAÇÃO DE SEUS TRABALHO, ALÉM DE SER TAMBÉM UMA EVOLUÇAO ESPIRITUAL ALCANÇADA, MAIS UM DEGRAU GALGADO NA CAMINHADA ESPIRITUAL, FATORES ESTES QUE LHE DEU RECONHECIMENTO E NOTORIEDADE, AO PONTO DE SEU NOME SER PLAGIADO E DIFUNDIDO EM INÚMEROS TERREIROS PELO PAÍS AFORA.
DISSE-ME TAMBÉM QUE O MOTIVO DE SEU MARTÍRIO FOI DAR AO PRÓPRIO PAI, O FIM DE UM SOFRIMENTO INSUPORTÁVEL, HAJA VISTA QUE, SEU PAI SOFRIA DE LEPRA, UMA DOENÇA NA ÉPOCA, FATAL E JÁ ESTAVA EM UM ESTADO TERMINAL. DESESPERADO E SOFRENDO MUITAS DORES, SEU PAI LHE PEDIU PARA QUE LHE POUPASSE DE SEU SOFRIMENTO, LHE TIRANDO A VIDA (MÉTODO HOJE CONHECIDO COMO EUTANÁSIA). EMOCIONADO COM O PEDIDO DO PAI, QUE LHE ERA MUITO PRÓXIMO E QUERIDO, ELE ASSIM O FEZ. PÔS FIM AO SEU SOFRIMENTO ATRAVÉS DE UMAINJEÇÃO LETAL.
CONTUDO COM ESTE GESTO, AOS OLHOS DE MUITOS CONSIDERADO NOBRE, ELE INCONSCIENTEMENTE INTERFERIU NOS DESÍGNIOS DO PRÓPRIO DEUS, UMA VÊS QUE ABREVIOU O SOFRIMENTO DE SEU PAI, IMPEDIU O MESMO DE QUITAR SUAS DÍVIDAS, PARA COM O CRIADOR, AGREGANDO ASSIM PARA SÍ PRÓPRIO ESTE TERRÍVELCARMA. HOJE ELE NOS PASSA ESTA MENSAGEM: “NINGUÉM SOFRE O QUE VOCÊ TEM DE SOFRE, PODE SOFRER COM VOCÊ, MAS JAMAIS POR VOCÊ.”
NESTA CONVERSA ELE TAMBÉM ME EXPLICOU SOBRE O DITO “PREPARO” NECESSÁRIO PARA SE TOCAR UMA CASA OU MESMO UM TRABALHO, DESMISTIFICANDO A HISTÓRIA DOS ETERNOS BANHOS, É CLARO QUE ALGUNS SÃO NECESSÁRIOS SIM, MAS NÃO DA FORMA QUE MUITOS APREGOAM POR AÍ, ACREDITO EU, ELE ESTAR SE REFERINDO AOS “BANHOS DE EBÓ” QUE SÃO ORIGINÁRIOS DOCANDOMBLÉ E NÃO TÊM NADA QUE VER COM A NOSSA UMBANDA, REPUDIANDO ASSIM TAMBÉM AS OFERENDAS, DA FORMA QUE MUITOS AS FAZEM E NOS LOCAIS QUE AS FAZEM, OS POPULARES DESPACHOS OU MACUMBAS, SACRIFÍCIOS DE ANIMAIS E O RITO DE “DEITAR PRO SANTO”, QUE TAMBÉM ENCONTRA SUAS ORIGENS NOCANDOMBLÉ. SEGUNDO ELE O PREPARO VEM DA SINTONIA DO MÉDIUM COM O GUIA, ATRAVÉS DA CONCENTRAÇÃO E DO APRENDIZADO TRABALHO APÓS TRABALHO, INDO ALÉM, ELE DISSE QUE O CÉREBRO É O RESPONSÁVEL POR TUDO, DANDO COMO EXEMPLO A VISÃO, SE O SEU CÉREBRO TIVER UM PROBLEMA E SEUS OLHOS FOREM SADIOS, DE NADA LHE VALERÁ, POIS SERÁS CEGO, MAS SE EXPANDIRES SUA CAPACIDADE INTUITIVA, SENSITIVA E PRINCIPALMENTE MEDIÚNICA, SEUS OLHOS VERÃO O QUE OS OUTROS NÃO ENXERGARÃO, SENDO NECESSÁRIO PARA ISTO OCORRER, QUE O MÉDIUM SE DEDIQUE A RELIGIÃO, TENHA MUITA FÉ, E TRANSCENDA AO MÁXIMO ATINGINDO O ÁPICE DE SUAS FACULDADES MEDIÚNICAS OU SEJA ATINJA O SEU NIRVANA.
ESPERO QUE ESTE PEQUENO COMPÊNDIO SIRVA PARA ELUCIDAR, DESMISTIFICAR E PORQUE NÃO DESMASCARAR MUITAS INVERDADES E ENGODOS QUE MUITOS APREGOAM COMO VERDADES ABSOLUTAS, MAS QUE NÃO PASSAM DE FALÁCIAS, SEM A MENOR SUSTENTAÇÃO.
AGRADEÇO AO EXÚ TRANCA RUA DAS ALMAS PELA ATENÇÃO DADOS E OS ENSINAMENTOS PASSADOS.
SALVE EXÚ TRANCA RUA, QUE DEUS ILUMINE CADA VEZ MAIS VOSSA FORÇA E VOSSA LUZ.LAROIE EXU EXU E MOJUBA
 — com Melina Soledad Echanis.

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