REVISTA CARAS EM 2011

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quinta-feira, 24 de julho de 2014

TOMAR ÒSU DE UM INICIADO










Esta obrigação é feita para que o espirito do mesmo possa se desprender das coisas que foram iniciadas em seu Òri. Sem esta obrigação o espirito vai continuar vinculado as sua iniciação na terra, causando problemas para seu caminho no mundo espiritual. Em algumas ocasiões, não é possível fazer esta obrigação na cabeça de um iniciado por vários motivos. No dia do ritual fúnebre, o responsável pode fazer esta obrigação em cima de uma representação ali colocada, em uma cuia (cabaça). O valor litúrgico é igual ao feito na cabeça do iniciado. Ori Òdè ( É a cabeça que sai da vagina da mãe e aparece para o Mundo.) Òri Ìnu- É a essência de nossa consciência, esta que segue para o Òrun se encontrar com Òri Sésé. Estas se juntam e leva nosso espirito até a frende do Deus superior Òlòdumárè nos apresentado ao mesmo. Ikú é uma entidade dotada de significado próprio e específico, tem seu ìhùwasé, isto é, existência e natureza próprias. É um ebóra pertencente ao grupo de guerreiros do orum, considerado um irunmolé-filho. Divindade masculina, não fica num lugar fixo, mas roda em torno do mundo para realizar o seu trabalho, ajudando a manter o equilíbrio da natureza. Nos itans, Ikú é filho de Odudua com Obatalá, tendo existência e axé independentes. É considerada uma divindade dúbia, estando ligada ao fim da existência e também à criação, pois forneceu a Obatalá a lama que usou para a confecção de novos moradores do Aiyê. É a única divindade que um dia “tomará” posse da cabeça de todos os seres humanos, carregando na mão direita o kumón, um poderoso e perigoso cetro, fabricada em metal, ferramenta indispensável e auxiliar no cumprimento de suas funções. Todos os iniciados tem este direito ao rito fúnebre. Os que não são iniciados, mais transmitiu através de suas mãos seu Ase individual em lavar, depenar, cozinhar e tudo que está ligado aos Ase, tem o direito a uma obrigação de encaminhamento ao Òrun, para seu espirito ser reconhecido dentro de seus ancestrais. Os dias de obrigação fúnebre: Bom! Quando se trata de Zeladores(as), deve-se começar na volta do enterro, dando início no mesmo dia. São 7 dias de obrigações. Mais se não tiver condições para começar no mesmo dia, deve-se fazer uma pequena obrigação comunicando ao Egun ancestral do terreiro o motivo deste ritual não ter sido iniciado imediatamente. A cabaça tem a representação do ventre materno aonde somos criados, assim o som é retirado do ventre que está chamando o espirito para ser reverenciado. O Axexê é feito para que tudo que tem ligação com o morto seja desfeito, tanto na parte iniciatória como material. Os familiares consanguineo e espiritual devem participar desta obrigação a qual fala em cantigas os feitos do falecido e os novos caminhos que ele vai precisar seguir. Dentro da parte litúrgica, o axexê, vem ter outra função. faz com que o espirito do falecido tenha sua apresentação aos seus ancestrais, dando a ele a passagem para Òrun, desvinculando sua energia da parte material e culto lesse Orixá. Obrigações são feitas de acordo com cada Nação e rito, para que o espirito do iniciado seja recebido e tenha sua apresentação dentro de cada Nação. Deve-se ressaltar que cada Nação tem seu ritual fúnebre e deve ser respeitado. Egun tem nação. Muitos declaram que isso não é verdade, mais seu Ori(Cabeça) somente reconhece naquilo que foi iniciado na feitura de santo. Todos que saem de uma Nação e entra em outra, deve receber a iniciação da qual está entrando, isso serve para que Ori reconheça o que esta recebendo. O Povo do Santo deve aprender os ritos sagrados fúnebre para acolher seus entes queridos e familiares no ritual do Axexe, evitando assim, a procura de outras religiões para tal fim .

quinta-feira, 17 de julho de 2014

OYA IKÚ






Olófin reinava em Ifè e tinha uma filha chamada Oya, que era desejada por Ìkú, a Morte. Ìkú era muito feio e estava sempre disposto a fazer o mal às pessoas. Seu costume preferido era levar qualquer pessoa para o cemitério, de onde ela nunca regressava. Certo dia ele foi até o palácio de Olófin e revelou seu desejo de casar-se com Oya. Olófin ficou surpreso com o pedido e lhe fez uma proposta: “Está bem, você poderá se casar com Oya, desde que se comprometa a trazer-me cem cabeças de gado.” Esta foi a maneira de se livrar de Ìkú, pois sabia que ele não poderia cumprir o pedido em razão de estar sempre sem dinheiro e nada ter na vida.
Ìkú, que era, por sua vez, muito esperto, se deu conta de que Olófin, na verdade, não queria lhe entregar Oya, e, então, pensou em fazer uma contraproposta: “Para que queres cem cabeças de gado se posso fazer-lhe uma oferta melhor? Posso lhe trazer um homem que vale mais do que todas as rezes juntas e que irá trabalhar para você o resto da vida.” Olófin lhe perguntou: “E quem é essa pessoa?” Ìkú revelou: “É Àwòrò, o conhecedor de todos os poderes do bem e do mal, os que curam e os que matam.”
Olófin aceitou o que foi proposto por Ìkú, porque sabia que Àwòrò era muito religioso e cumpridor de seus deveres, fazendo tudo que os Òrìsà mandavam. Era homem de poucos amigos, entre eles o Ògá(o mesmo que Ogan), e o Àgbò, o carneiro. Não bebia e nem jogava, e, o mais importante, não tinha nenhuma relação com Ìkú. Olófin não se preocupou, pois sabia que Ìkú não teria como obrigar Àwòrò contra a sua vontade.
Ìkú saiu de lá, pensando em como cumprir com o prometido, quando no caminho avostou Àgbò, o carneiro, vindo em sua direção. Aproveitou a oportunidade, contou-lhe a conversa que havia tido com Olófin e lhe fez uma promessa: “Se me ajudares, eu te asseguro que nunca te levarei para o cemitério, ou seja, nunca morrerás.” Àgbò, apesar de amigo de Àwòrò, aceitou a proposta de Ìkú, mas disse que precisaria da ajuda de Ògá, a quem deveria fazer-lhe a mesma promessa. Isto feito, Ògá se comprometeu a ajuda-lo. Eles iriam levar Àwòrò ao cemitério naquela mesma noite.
Nesse meio-tempo, Oya tomou conhecimento do acordo entre Olófin e Ìkú, e resolveu ir até a casa de Òrúnmìlà, para uma consulta. E ele lhe disse: “Ìkú poderá até conseguir o que deseja, mas a traição dos amigos porá tudo a perder. Você, porém, poderá salva-lo se for ao cemitério e enfrentar Ìkú.” Oya temia Ìkú e, mais ainda, o cemitério, mas decidiu não dizer nada.
Naquele momento, Àwòrò estava em seu trabalho religioso, realizando suas orações, quando foi orientado a não abrir a porta para ninguém depois de se deitar. Por isso, ao chegar em casa fechou as portas mais cedo do que de costume, observando que elas estivessem bem trancadas. Não levou muito tempo, quando ouviu baterem na porta. Recostou-se na cama perguntando quem poderia ser. Ògá se identificou, dizendo que trazia para ele doce de coco, pois sabia que ele gostava muito daquele doce. Mesmo assim Àwòrò disse que não iria abrir a porta, pois já estava deitado. Ògá voltou para Àgbò, perguntando o que fazer. Àgbò pegou o doce de coco e, chegando até a porta, disse: “Àwòrò, somos seus melhores amigos. Se você não pode sair, abra um pouco a porta para que possamos lhe entregar o doce de que tanto gostas.” Àwòrò sentiu um desejo muito forte, e falou consigo mesmo: “O que pode me acontecer se eu abrir um pouquinho a porta?” Desceu e foi abrir a porta, quando o agarraram e se dirigiram ao cemitério.
Era uma noite bem escura, e todos estavam com medo de entrar, mas não viram outro jeito. Não tinham avançado muito, quando diante deles se apresentou Ìkú em sua verdadeira forma: todos os ossos à mostra. Era pura caveira. Ao ver o susto nos olhos dos dois, Ìkú os acalmou e eles se recompuseram.
Contam que Àwòrò estava ali, mas que, no momento de ser entregue, surgiu entre os dois Oya, em meio a ruídos de raios, coriscos e ventanias. Os três saíram correndo espavoridos. Aproveitando o momento, Oya, para libertar Àwòrò, disse-lhe: “O doce de coco quase lhe custa a cabeça.”
Àgbò, ao sair correndo, passou pelo palácio de Olófin feito um bólido. Olófin veio vê-lo passar, suspeitando que algo de anormal estava acontecendo. Chamou seus guardas e pediu que trouxessem Àgbò. Isto feito, exigiu que contasse o que havia acontecido. Quando Àgbò acabou de contar, Olófin mandou buscar Ìkú, Àwòrò, Ògá e Oya. Ao te-los todos à sua frente, falou-lhes: “Ìkú, com a sua maneira habitual de conseguir as coisas, o que de outra forma teria sido impossível, eu te condeno a que, de hoje em diante, não tenha amigos, nem bens, nem casa, nem nada. Que nunca sejas bem-vindo em nenhum lugar. Que vagues por todas as partes, por toda a eternidade em sua forma verdadeira.”
Olófin continuou em seu julgamento: “Àgbò, tu traíste o teu melhor amigo por querer a vida eterna; irás morrer quantas vezes um Òrìsà necessitar de ti. Quanto a Ògá, tu és culpado do mesmo delito; portanto serás condenado a que não descanses nunca e terás que estar à frente em todos os trabalhos que surgirem e sempre que for solicitada a tua presença. A ti, Àwòrò, eu não direi nada, pois o susto que passou por não obedeceres ao que os Òrìsà te determinaram já é o suficiente.”
E, por último, Olófin se dirigiu a Oya: “Tu salvaste a vida de Àwòrò e demonstraste a falsidade de dois amigos, mas sobretudo perdeste o medo de Ìkú. De hoje em diante serás a dona do cemitério e de tudo o que estiver dentro dele. Ìkú, que quis fazer-te mulher dele, de agora em diante será teu escravo e trabalhará para ti eternamente.” Dizendo isso, retirou-se satisfeito, certo de ter feito justiça.
NOTAS:
Olófin: Título que indica a função de um legislador e que vem de Oní, prefixo que indica posse ou comando, e Òfin, que significa lei. Oní + Òfin = Olófin. É um título dado a Olódùmarè, o Ser Supremo, como o Senhor das Leis Universais e, em outros casos, a Odùdúwà, como soberano de Ifè.
Ògá: Significa: senhor ou mestre na sociedade Yorubá. No Brasil, a grafia foi modificada para Ogan, um cargo masculino nas casas de Candomblé, também chamado de Pai e merecedor de todas as distinções.
Ìkú: A morte. Na cultura yorubá é vista como personagem masculino.
Oya: Também conhecida como Yánsàn, princesa do reino de Irá. Òrìsà de características guerreiras idênticas às de Sàngó.
Àwòrò: é denominação usada para um sacerdote; literalmente, à: aquele, wò: que olha, orò: pelo ritual.
oloje iku ike obarainan

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